comidinhas: viagem à china com o chi fu
Chi Fu, dizem, foi uma tradução não muito feliz de “sea food”
O Chi Fu é um restaurante chinês lendário do bairro da Liberdade, em São Paulo. Há uns quatro anos, ainda era considerado um ambiente para aventureiros (mesmo!), especialmente porque a fama do local não era das melhores em termos de limpeza e atendimento… Pratos sujos de gordura, insetos e baratas faziam parte do cenário, assim como as garçonetes não muito simpáticas e que não entendiam quase nada de português. Mas a comida… Ah, a comida era simplesmente estupenda!
A primeira vez em que ouvi falar do Chi Fu foi em 2006, no blog do Marcelo Katsuki, mas nunca consegui ir por dois motivos: primeiro, não sabia andar na Liberdade e nunca achava nada lá (apesar de ser praticamente na porta do metrô, mas né… Ignorem a lerdeza caipirinha de Juju aqui); segundo, não tinha coragem de chamar ninguém para ir lá comigo! Hahahaha… :P Então a coisa ficou meio esquecida em um canto na minha memória. Só lembrava que tinha esse restaurante chinês porque o nome é muito bom (reza a lenda que o dono queria que chamasse Sea Food, mas o brasileiro que fez o cartaz da fachada entendeu errado e virou Chi Fu).
Então, semana passada, fui encontrar com o Zé na Sé para voltarmos para casa e passamos na porta do Chi Fu. Eu parecia uma criança em ver que o restaurante ainda existia e, pasmem, não era tão assustador assim (pelo menos por fora). Sabe como é… Os anos passaram e o Chi Fu ganhou uma reforma. Hoje, se não é o restaurante mais lindo de São Paulo, também não afasta a clientela. Não conheço muitos restaurantes chineses típicos, mas dizem que não dá para esperar nada muito refinado, então o Chi Fu é (hoje) um bom representante.
Ontem resolvemos parar no Chi Fu para jantar e ganhamos de brinde uma viagem para a China! :P
Por dentro, o Chi Fu é todo decorado em dourado e vermelho. Eu adorei o papel de parede, todo desenhado. O banheiro também é limpinho e organizado, só que, no lugar da saboneteira, tinha um lindo frascão de detergente de louça laranja. Ok, vai, em casa eu também lavo a mão com detergente de louça antes de comer (pode contar isso no blog? rs). Copos, pratos, mesa… Estava tudo suficientemente limpo.
Você encontrará várias mesas redondas, para oito ou dez pessoas (não há mesas menores). Sentamos em uma mesa para oito e, pouco depois, a moça sinalizou que um casal iria sentar conosco também (apesar de ter vááárias mesas vazias no horário em que fomos). Claro, a gente deixou, e quem teria coragem de questionar qualquer coisa? Não perguntei o nome deles, mas o casal era bem simpático e parece ir lá com certa frequência, sempre para provar pratos novos. Rindo, eles contaram que toda vez dividem a mesa com mais alguém.
Uma vez que você está sentado na sua mesa e pronto para pedir seu prato, começa a viagem para o outro lado do mundo. Em volta, a grande maioria das mesas é formada por famílias de expatriados e homens de negócio conversando em mandarim ou algum dialeto chinês. O cardápio, ufa, vem traduzido (antigamente não tinha essa lambuja, rs), mas sem muitos detalhes. Vai da sorte mesmo e, se você tentar perguntar para a garçonete o que vem no prato, vai se dar mal – elas ainda falam pouquíssimo português. O pobre casal da frente tentou perguntar o que vinha de acompanhamento na costelinha de porco e a moça apontou para a sua própria costela. Ok… :P
O Zé ficou um pouco receoso, com medo de aparecer um prato com escorpião frito ou algo ainda vivo na frente dele, mas eu o tranquilizei, falando que a gente podia pedir algo mais “simples”, como macarrão com carne e legumes. Escolhemos o mifum chop-suey. Não sei o que veio exatamente, afinal, tudo que o cardápio traz de informação é isso: mifum chop-suey. A gente chutou mesmo e se deu bem. O prato traz aquele macarrão fininho frito, com brócolis, acelga, gengibre, cenoura, carne bovina, carne suína, camarões e (acho) lula e mais alguns legumes que não soube identificar (desculpa, rs). É gordurosinho (é comida chinesa, é macarrão frito), mas o sabor é sensacional! Valeu muito a pena.
Lógico que pagamos um pequeno mico e colocamos a comida direto no prato e não dentro da tigela (que fica em cima do prato, como se ele fosse um pires), mas tuuuudo bem! Hahahaha… Na próxima vez, faremos direito!
Quer ir? Dica: peça um prato só para cada duas ou três pessoas porque eles são enormes. Enormes! Na dúvida, vale espiar a mesa vizinha e pedir igual, sem medo de ser feliz. Mais uma dica? Leve dinheiro! Eles não aceitam nenhum tipo de cartão (o lado bom é que na praça em frente tem os principais bancos).
E minha última dica mega importante: pela barreira do idioma, o Chi Fu não é um lugar pra você chamar a garçonete e aí pensar no que quer, ficar perguntando para as pessoas, mudando de ideia no meio do pedido… Primeiro, escolha tudo que vocês querem, os pratos, as bebidas, os acompanhamentos… Uma vez definido, aí sim chame a garçonete e encarregue uma (uma!) pessoa de fazer o pedido, mostrando os números no cardápio. Assim, você garante que receberá o que pediu e evitará confusões. Aquele seu amigo chatinho, que tem vocação pra fiscal do Procon, não é uma boa companhia nesse tipo de ambiente. Quanto a dividir a mesa, fique tranquilo: na hora que pedir a conta, a moça irá gritar tudo que você pediu em chinês pro caixa e, no fim, dá tudo certo. ;P
Resumindo: o Chi Fu está mais limpinho, mas, para ir lá, não pode ter frescura! Quem tem restrições alimentares, como dietas vegetarianas ou alergia a frutos do mar, é melhor não se arriscar… Quem tiver coragem, vai se deliciar. E o precinho, ó, camaradíssimo. Nosso prato, com as bebidas, ficou em 29 reais!
3 comentários
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Acho que já passei por esse restaurante, mas não dei atenção. Adorei essa ideia de se aventurar no restauramte, acho que vou tentar!
Ja passei, mas nunca entrei nesse restaurante. Agora fiquei com vontade de ir. e realmente,o preço esta bem camarada,
beijao.
O Chi Fu é sensacional!!! Adoro, adoro, adoroooooo! Dizem que cozinha de restaurante e passado do ex a gente não vai fuçar, né? HAHAHA! O melhor é siacabar de comer e pagar baratinho depois=D