o poder de persuasão da capa do livro
Faz algum tempinho, fui em uma palestra na USP Maria Antônia sobre “O poder de persuasão da capa do livro”, com a Moema Cavalcanti. Para quem não sabe, ela já fez mais de 1.300 capas e ganhou o Jabuti na categoria Melhor Capa três vezes! Se alguém tem algo a dizer sobre o assunto aqui no Brasil, com certeza é ela.
Enquanto na Europa as capas são discretas, no Brasil elas são ferramentas de marketing, destinadas a gerar um impulso de consumo. Aqui, a capa, de fato, vende um livro. Acho que só perde para a fama do autor no ranking de “motivos que influenciam a compra”. Assim, muitas vezes as editoras fazem um uso bastante agressivo do design, enchendo de logos, números, frases e outros elementos que apenas poluem. Aliás, a relação editor e capista (geralmente, um free-lancer) foi amplamente discutida. Para os clientes, Moema sempre pede um briefing com o perfil do autor e do público-alvo, além de indicações sobre o que se quer com a capa (ao invés do que não se quer, como é mais comum).
Uma tipologia agradável é tão importante que a capista sempre começa seus trabalhos pelo lettering (textos). É preciso um cuidado especial para não fazer um design que envelheça, com fontes “da moda” ou imagens que não funcionam mais. Ela diz que boa parte do seu repertório é formado por suas inúmeras idas ao cinema – de cinco a sete vezes por semana! E ela gosta de cinema mesmo: telas grandes, sala escura… Nada de ver filme em casa. Outra coisa que faz com frequência é ir às livrarias e observar as pessoas escolhendo um livro. A partir dessa observação, ela consegue perceber o que mais atrai o olhar e pensar em soluções para suas capas.
Dessa forma, uma das dicas mais valiosas de Moema foi dizer que o leitor sempre espera ganhar “algo mais”. Como forma de sedução, ela explora a capa com cortes de faca, dobras diferenciadas, aplicações de ilhoses, etiquetas, adesivos, hotstamps, vernizes, cores diferentes no verso, estampas na guarda e, o mais importante, sempre procura colocar algum elemento que faça com que o leitor vire o livro e confira a quarta capa, como imagens que continuam no verso, fios, recortes etc. Não é mágico quando você abre um livro e tem uma imagem linda ali, ou uma cor diferente?
Vou mais longe: com os e-readers, cada vez mais o livro físico deixará de ser apenas uma plataforma de leitura para se tornar um objeto de design. Moema não concordou comigo: ela defende que o livro de papel como o conhecemos jamais deixará de existir. Já eu penso que acontecerá como acontece com os filmes e as músicas. Não existem filmes que você faz questão de ver no cinema, especialmente quando eles têm algum efeito especial; outros, que você corre baixar na internet, porque quer o conteúdo antes de qualquer coisa, mesmo que perca na parte visual; outros, ainda, que não se importa em esperar passar na tevê; por fim, não há aqueles que você jamais verá, exceto por acaso? Também não tem aquela banda que você faz questão de ter o CD, com o encarte bonitinho, e outra que você escuta só nas rádios virtuais? Estou certa de que com os livros acontecerá a mesma coisa: se você só quer o conteúdo, ficará satisfeito em ter a versão eletrônica, mais barata. Porém, sempre existirá aquele livro que você fará questão de ter em papel. E, se ele tiver um design incrível, com certeza será um motivo a mais para querer comprar o exemplar físico, não é mesmo?
Se a capa cria o desejo de compra, é a quarta capa que faz o leitor bater o martelo. Para Moema, a quarta capa ideal deve ser curta, lida em no máximo dois segundos, e jamais revelar o livro todo. Cabe ao editor decidir o que e quanto dizer sobre o livro, mas sempre guardando um certo mistério… Ufa! Dá trabalho! Mas vocês não imaginam a alegria de ver um desconhecido com um livro que você ajudou a realizar em mãos. :)
A palestra foi uma dica da querida Mari Frioli. Obrigada! E se vocês tiverem mais dicas ou quiserem falar sobre o que mais lhes chama a atenção em uma capa de livro, comentem!!! :D
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Concordo com você sobre o futuro dos livros com os e-readers. Acho que tudo vai mudar com a popularização dos leitores virtuais, assim como foi com os MP3 players, por exemplo.
Eu acho que a capa, assim como uma embalagem qualquer, é uma ótima forma de se fazer marketing. O primeiro olhar para a capa é o que te faz olhar (pegar) o livro na prateleira. Depois vc olha a contracapa.
Depois disso, vem a parte de olhar os comentários dos jornais que vem abaixo da sinopse. Pronto, se é tudo harmônico, você leva o livro.
Tem outra coisa também. Já viu que muita gente deixa de comprar livros de promoções na internet (tipo submarino) só porque as capas são pobrezinhas (sem orelhas, encaixes, brilhos, etc.? Acho que observando isso, dá pra reparar que existe uma certa cultura de se pensar que a qualidade da capa influencia na qualidade do conteúdo do livro.
Ufa! Escrevi demais^^!
=***
Concordo que aqui no Brasil capa é marketing. Mas se na Europo ele não estão nem aí para as capas, então é aí que eles estão acertando pois eu sou viciada em capas importadas. Na minha humilde (humilde mesmo, pois não tendo nada de design, ou qualquer coisa que envolva esse mercado) opinião são as melhores. Toda vez que olho para uma já consigo entender logo a temática do livro, e mesmo com meu inglês super fraco, torna tudo muito fácil.
Posso estar falando bobagem aqui, mas um livro é sempre julgado pela capa, e por mais bonita que seja, é sempre a capa que vende, e não o autor, a não ser que o autor seja muito conhecido.
Mas meu verdadeiro motivo de ter vindo parar aqui, é que vc está participando do Amigo Secreto Literário e eu estou adicionando todos os participantes.
Foi uma alegria para mim, vir aqui pq achei esse texto maravilhoso! E tbm tive a oportunidade de conhecer vc e o seu cantinho, que é lindo!!
Passo aqui depois para ver o que vc ganhou do AS e quem vc tirou.
XOXO, da Lisse
Olá Juliana,
Gostaria de saber se você tem como inserir um novo link deste livro de Moema Cavalcanti, pois não estou conseguindo acessar. Ah, se você souber onde posso adiquirir o livro fico muito agradecido, pois estou procurando na “rede” mas não o acho. Obrigado pela atenção.
Att.,
Luks