geyse e as “piriguetes”
Não sou o melhor exemplo de feminista que conheço, mas, a cada dia, tento ser um pouco melhor. Melhor no sentido de compreender meu papel na sociedade e repensar o que cada atitude minha representa, se é genuína ou se é algo baseado em preconceitos.
Quando soube do caso da menina da Uniban, fiquei um bom tempo lendo matérias e coletando informações antes de emitir alguma opinião fora de propósito. De fato, achei o vestido curto, mas nada surpreendente. Sim, já vi meninas usando roupas mais curtas (eu mesma me incluo nesse grupo), na universidade e em outros lugares. E achei completamente descabida a reação dos alunos. Algo que precisava de uma intervenção e uma medida socioeducativa mesmo.
Não só acho que Geyse foi vítima, como foi duplamente vítima — algo que comentei anteriormente na excelente comunidade Feminismo e Libertação do orkut, mas vou explicar aqui no blog também. Primeiro, ela é vítima por achar que, para ser uma mulher “de verdade”, precisa se encaixar em um padrão (amplamente difundido pela mídia, aliás). Descolore e alisa os cabelos, mantém as unhas sempre feitas, o corpo depilado e perfumado e, claro, só usa roupas “femininas”. Vestidos, blusas decotadas, calças apertadas, saltos altos. Afinal, se a gente não faz isso, é desleixada, quase masculina. A vaidade é uma obrigação para as mulheres, não uma opção. Ou vocês nunca ouviram reclamações (ou se sentiram mal) porque não estavam com as sobrancelhas ou as unhas feitas ou saíram para uma festa com o cabelo “rebelde” e sem maquiagem? Eu já! Direto! :P
Ela, assim como muitas outras garotas, se esforça para atender a esse
padrão. Às vezes, por falta de conhecimento (e
isso não é crime, quero deixar bem claro), uma menina pode errar a mão
e pesar na sensualidade (ou o termo infeliz “vulgaridade”). Mas ela não
percebe isso. Porque, quando ela liga a tevê no domingo, todas as celebridades estão vestidas dessa mesma maneira. Porque, quando ela se arruma assim, chama a atenção dos homens
(e não é para isso que supostamente vivemos: chamar a atenção de um
“macho” para que ele case conosco e traga sentido para nossas vidinhas
medíocres?). Vira “alguém”, é “desejada”.
Quantas garotas que se vestem dessa maneira vocês conhecem? Quantas
vocês já zoaram por isso? Eu mesma fiz isso recentemente, em um almoço
entre amigos, porque a “piriguete” em questão estava namorando um
menino que eu gostava. Não me conformava por gostar de um cara que
tinha a coragem de namorar uma menina que chega a ter uma tatuagem com
o coelhinho da Playboy na barriga (oi, preconceito?!). Será que ele realmente acha que
precisa de tudo isso para uma garota ser considerada “mulherão”. Talvez sim. Talvez eu aqui, com meus
quilinhos a mais, meu cabelo neo-hippie e a sobrancelha torta, sempre serei preterida. Eu não “me cuido” o suficiente para ser notada. Entenderam?
Quando vi o caso da Uniban, o sentimento de culpa foi imenso. Provavelmente, a namorada desse rapaz faz isso porque passou pelo mesmo processo de lavagem cerebral. É muito feio eu querer desmercê-la porque tive a oportunidade de ler “O mito da beleza”, ou consigo tomar decisões de vestuário mais conscientes. Uso minissaia sim, mas porque sei o papel que ela teve no processo de emancipação da mulher e não porque quero ficar “gostosa” pros “machos” – porém, no final das contas, estamos todas com as coxas de fora, não é mesmo? Posso até questionar o gosto desse rapaz, mas ele ao menos está lá, namorando
oficialmente sua garota sensual de microvestido e não berrando
pelos corredores: pu-ta, pu-ta!
Aí chegamos no segundo momento em que Geyse é vitimizada. Depois de todo o esforço para ser essa “mulher ideal dos sonhos masculinos”, ela descobre que não, não pode. Para, tá tudo errado! Microvestido? Nem pensar. Andar insinuante? Que isso?! Falar com garotos que querem sua atenção? Você deve estar de brincadeira!
Por que Geyse não pode e a sub-celebridade no programa de tevê pode? Seria porque ela ganha 400 reais por mês? Ou porque ela não tem o mesmo índice de gordura das garotas do Brazil’s Next Top Model? Não sei… É uma mistura de preconceito social com preconceito de gênero que me deixa atordoada. Se ela fosse uma “patricinha”, magrinha e rica, será que teria sido massacrada dessa maneira? Infelizmente, acho que não.
Essa menina não se vestia assim (inapropiadamente, segundo a universidade que a expulsou) porque queria. Não vamos reduzir num simples “porque ela achava bonito”. É porque acreditava que isso era o esperado dela. Quem enfiou isso na cabecinha dela? Não foi a mesma sociedade que dá aval para chamarmos essas meninas de piranhas depois? Pois é…
Não é fácil ser mulher!
12 comentários




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Jú, adorei seu texto. Concordo com cada palavra sua. O que mais me irrita nesse caso todo é a hipocrisia das pessoas que dão suas opiniões sobre isso na TV. Mulheres que criticam o tipo de roupa que a Geyse usa, no momento da entrevista estavam trajando roupas similares. Ou rapazes que dizem permitir que a namorada use um vestido daquele para ir em qualquer lugar, inclusive ir à faculdade, são os mesmos que gritaram que ela era puta. Essa discussão ainda vai dar muito o que falar…
Bjs
É muito sinistro ver uma reação dessas num fato tão normal… se bobear, a menina já tinha usado esse vestido umas 20 vezes antes e ninguém abriu a boca…
ola ju,vira e mexe to lendo o seu blog e toda vez q tento comentar aparece algum tipo de problema,…
concordo em genero,numero e grau contigo,acho uma tremenda hipocrisia a nossa sociedade ser tao liberal em termos do que aparece na tv(vide faustao,gugu,…onde a mulherada aparece semi nua)e todos acham normal,e do nada armam esse circo com essa garota do uniban,muita sacanagem.
um abracao.
Fiz o mesmo comentário maldoso noutro dia, em que cheguei a uma boate e vi saias milimétricas. Realmente é deixar o preconceito de lado e enexergar as coisas de uma forma mais ampla, maior. E repensar o conceito de mulher que a sociedade já impõe há um bom tempo, na questão da vaidade, nos relacionamentos, no que a mulher precisa pra ser feliz de verdade. Um beijo!
Isso nao passou de uma jogada barata dessa putinha de plantao, que utilizou de muitos universiotarios para se promover, depois essa mesma classe usa a esculhambaçao para reivindicar sabe o que? nao tem capacidades inatas para promover mudanças positivas no pais, e utiliza principalmente deste mundinho televisivo alienante. Viva Osama Bin Ladem
HAHAHA FEMINISTAS FORAM FEITAS DE OTÁRIAS.
eLA FEZ TUDO DE CASO PENSADO, ELA AGORA ESTÁ CONSEGUINDO TUDO O QUE NAO CONSEGUIA ANTES. Vai posar NUA nuam revista, vai sair pelada em carro alegórico em escola de samba, depois um filme porno, ou engravidar d eum jogador de futebol.Mulher OBJETO, tudo aquilo que as mulheres desse naipe conseguem ser. Se promove pela BUNDA e não pelo cérebro. PARABÉNS FEMINISTAS, voces me fizeram rir novamente.
MACHISMO é simplesmente o termo usado pelas mulheres quando sua fútil cabecinha é contrariada.
apoiado, assino embaixo! Thomas Morris fala algo assim…
Juliana, não constumo comentar os blogs que leio. Mas nesse caso fui compelido a comentar e dizer que concordo com tudo o que disse.
Acho que todo mundo devia repensar as roupas que usa, não necessariamente pra mudar, mas pela autoreflexao mesmo. Pensar coisas do tipo: Pq eu uso isso e nao uso aquilo? Eu uso pra me sentir bonita ou pq os outros esperam que eu use? Compro essa roupa de marca 10X mais cara pq?
É uma reflexão legal e diz mais do que se imagina sobre nós mesmos.
Entre exageros de um lado e de outro lado eu fico no meio. Pobrezinha da Geyse, tão fraquinha de cabeça, tão classe média baixa. Na verdade a estória é outra. Um estudante daquela faculdade medíocre (Uniesquina),onde predominia a classe média baixa, tomou um fora dela e arrumou meia dúzia de amigos que aprontaram esta vingancinha. Portanto um teatro do absurdo que contaminou a escola inteira e se tornou realidade para finalmente a mídia transformar em fato mundial. Portanto não se trata de mini saia, não se trata de putinha, não se trata de fato social para mudar o rumo da história. Foi apenas uma zoada de estudantes fracos de uma universidade papa niquel, como tantas hoje em dia. Se alguém sai prejudicado nesta estória é a cultura nacional que está totalmente rendida a este tipo de ensino que abriga estudantes que mal sabem escrever o nome. É este o âmago da questão que passou despercebido.
Beijos, Geyse e aproveite os minutos de fama pra faturar e entrar numa universidade de verdade.
será que para uma mulher ser notada ela precisa andar como uma puta de esquina???acho que a reação dos alunos foi muito mais em função do contesto em que esse mundão está,do que por qualquer outra coisa….se anda como uma piriguete,vai ser tratada como uma…quando surgiu o Feminismo as mulheres queriam os mesmos dreitos que nos homens,mas acabaram adiquirido e conquistando os nosos piores defeitos…hoje mulheres tentam ser e são iguais a nós em promiscuidade,mentira,deslealdade,entre outras “qualidades”…acho que não evoluimos em nada com tudo isso e acho ainda que andamos pra traz,hoje temos homens e mulheres das cavernas…que puxam seus pareceiros pelos cabelos…com um Tacap nas mãos rsrsrsrs
As pessoas evoluem, mudam, dão a volta e caem sempre no mesmo ponto.
Mesmo tendo aberto campo com relação a escolhas continuamos dependentes do padrão de beleza e continuaremos assim até que algo mude na cabecinha de homens e mulheres.
Mulheres sentem-se poderosas quando são sedutoras e fazem isto mesmo pensando ou fingindo que não estão fazendo.
Homens sentem-se poderosos mesmo não perbendo que eles é que são seduzidos.
Só mudaremos quando melhorarmos a genética e os hormônios masculinos e questionarmos a publicidade exagerada de mulheres ideais.