blogs corporativos de editoras de livros
A Cosac Naify está com site novo e, entre as novidades, lançaram o blog oficial da editora. Posso estar enganada, mas acredito que, entre as maiores editoras brasileiras, eles são os primeiros a manter um blog corporativo. Muito recente e, consequentemente, com poucos posts, é difícil dizer como o público vai receber, no entanto, já é possível sentir o tom do conteúdo que será gerado. Com textos bem humorados, porém sem qualquer tipo de assinatura, a editora fala de seus lançamentos, prêmios conquistados e eventos.
A vantagem do blog em comparação a outras ferramentas de divulgação, como o catálogo virtual e as matérias na imprensa, é justamente permitir um diálogo com o público. Não só falar que uma nova coleção será lançada, mas porque foi lançada, qual sua importância… Até mesmo discutir a escolha de uma determinada capa (farei um post só sobre blogs que tratam disso, provavelmente amanhã), fazer entrevistas com autores (com a colaboração dos leitores), entre outros. Acho uma ação válida, com um impacto muito mais positivo do que negativo. Como disse em uma outra ocasião aqui no blog, as empresas de comunicação do Brasil ainda são muito conservadoras e uma ação como essa dificilmente será adotada em massa, mas sempre fico grata ao ver uns e outros experimentando.
Lá fora, outras editoras também possuem blogs corporativos e existem dois que recomendo muitíssimo. O primeiro é o da Penquin UK, o The Penguin Blog. O blog é mantido por diferentes funcionários e os posts são assinados, o que acredito ser uma enorme vantagem – gosto de ler posts escrito por pessoas, mesmo que sejam em nome de suas empresas. Afinal, saber que aquele texto veio do cara que cuida das vendas ou da estagiária da assessoria de imprensa faz toda a diferença para mim.
Além de todos os assuntos que citei no segundo parágrafo, o blog da Penguin também traz resenhas de seus livros escritas pelos funcionários e alguns rankings, como “os livros favoritos para o verão, segundo a equipe de direitos autorais” ou “as melhores capas da temporada, na opinião dos nossos diretores de arte”. Adoro! Outro tipo de post que sempre fico feliz de ler nesse blog são as reflexões sobre o mercado do livro, desde o testemunho de um novo funcionário que se sentia mal por não ler tão rápido como seus colegas de empresa até uma discussão sobre blogs de literatura, levantada pelo responsável pela publicidade. Textos inteligentes, sinceros, acessíveis… Para mim, é o exemplo ideal do que fazer em um blog corporativo de uma editora de livros.
Outro que acompanho com frequência é o The 26th Story, da Haper Studio (EUA). Eles são moderninhos e os posts refletem isso. A maioria trata das tendências do mercado, estratégias de marketing e divulgação, o desafio do e-book e das novas tecnologias… São textos interessantes e provocadores. Não me esqueci mais do post com orientações para autores que farão sua primeira sessão de autógrafos. Por mais engraçado e verdadeiro que seja, eu não teria coragem de escrever algo nesse tom, nem aqui no Megacombo, com medo de “ofender” alguém. E os caras colocam isso em um blog corporativo! Tem tudo a ver com a proposta deles, mas, ainda assim, é ousado. Faz eu me sentir uma bobinha, rs
Resumindo: dá para fazer muita coisa bacana em um blog corporativo. Entendo perfeitamente a cautela das empresas, de um modo geral, não só do mercado livreiro. Mas não deixo de admirar essas iniciativas. Enquanto não é uma prática regular, a saída para um diálogo aberto com o público pode ser criar um blog como o Editorial Anonymous, mantido por uma editora norte-americana de livros infantis (eu acho que é uma mulher, mas não tenho certeza, rsss). Os últimos posts tratam justamente do drama número um de quem escreveu um livro: como conseguir ser publicado? O anonimato permite que ela (ele?) dê respostas muito pertinentes. Outro que merece entrar nos seus feeds. ;-)
Quero aproveitar para dizer que sempre (sempre, sempre, sempre) que escrevo aqui no Megacombo, ou no twitter, ou em qualquer outro lugar, sobre o mercado editorial e minhas impressões a respeito dele é a Juliana profissional de editoração quem fala, nunca a Juliana funcionária da empresa xis. Minhas opiniões são absolutamente pessoais e não refletem necessariamente as da editora em que trabalho. Afinal, esse blog existe desde a época em que nem em editora eu trabalhava! rss…
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Ju acho isso super bacana, a interação com o público é algo que qualquer empresa, de qualquer ramo devia se preocupar. Principalmente sendo ela da área de comunicação.
Leio o blog da Intuitif, que é uma marca de bolsas (sei que é beeem diferente de livros, mas é um bom exemplo) e quem escreve é a dona da marca, mostra seus looks, fala da vida pessoal, foto da família. Enfim…..quem lê se sente “amiga” da mulher, e acho que é super válido pra criar um vínculo.
Bjoka