livros: a arte de recusar um original
Ontem eu já estava “partindo” para o ponto de ônibus quando a lombada cinza de um livro fininho (144 páginas é fininho para mim, rs) chamou minha atenção na nossa estante de dicionários. Não lembro direito agora, acho que eu estava guardando o Volp (meu novo melhor amigo :P) quando vi essa coisinha tímida entre tantos calhamaços. Era o livro A arte de recusar um original, do canadense Camilien Roy.
Peguei emprestado meio rindo de mim mesma. Quando eu teria tempo para ler mais um livro? Sério, tá complicado… Mas eu comecei lendo lá no ponto de ônibus (meio escuro, não façam isso!) e continuei lendo no ônibus (balançando, dá dor de cabeça, não façam isso!) e só fui fechar pouco antes de chegar em casa, com o livro todo lido.
Pois é, tempo a gente sempre arruma pro que quer, né? rs
Vou colocar um pedacinho da orelha para vocês saberem do que se trata:
…se escrever é sempre uma aventura, esta não se compara à tentativa posterior de publicar o livro. Se antes estava só, contando apenas com os próprios recursos, agora o escritor terá um exército inteiro contra si: um batalhão de editores implacáveis empenhados em mantê-lo nas brumas do ineditismo. E, como se sabe, não há nada mais cruel que um editor, nem mesmo os sargentos ou os treinadores. Não existe autor que não tenha sido recusado ao menos uma vez e existem milhares que o foram dezenas de vezes.
Original é o nome que damos no mercado editorial para um livro que não foi publicado ainda (também chamado de manuscrito – e, acreditem, há quem leve isso ao pé da letra e ainda mande páginas e páginas escritas de próprio punho para avaliação!). E, de fato, a recusa é bem mais comum do que se pensa. Sabe quem foi recusada por inúmeras editoras? J. K. Rowling. Preciso dizer mais alguma coisa?
Se você tem planos de ser escritor um dia e se, especialmente, planeja contar com esta que vos escreve como um “contato no mundo editorial”, por favor, leia esse livro. Se não puder comprar, leia ao menos a advertência prévia das páginas 9 a 13. Guarde essas palavras em algum cantinho da sua memória, mesmo que, a princípio, elas pareçam apenas uma brincadeira com carga dramática para dar um certo humor ao texto. Depois de receber sua primeira carta de recusa, tenho certeza de que você vai voltar para a livraria.
Vou aproveitar e falar rapidamente sobre original, ou melhor, vou tentar fazer isso rapidamente. Já falei um pouquinho sobre isso antes no blog, logo que entrei na editora (em 2007, passou muito rápido!). A diferença é que hoje eu coleciono um número bastante bom de pessoas que me procuraram querendo publicar um livro e esperando que eu fosse uma atalho. Mas eu não sou! Jamais conseguiria publicar as trovas do meu avô, o que seria uma enorme realização para mim (elas fogem da linha editorial que seguimos aqui), e acredito que teria sérias dificuldades em publicar até mesmo um texto de minha autoria. Mesmo trabalhando aqui, estudando e conhecendo pessoas “importantes”. Imagina a cara que eu fico quando alguém que eu mal conheço começa com aquele papo “estou escrevendo um livro…”! Há! Então não fiquem chateados, eu também só escuto não desses “editores desalmados e insensíveis”. :P (E, gente, sério, eu não tenho acesso aos originais, eles só chegam nas minhas mãos depois do contrato ser assinado, ou seja, se são aceitos!)
De qualquer forma, voltando ao tema do post, o livro é divertido e tem algumas cartas que eu bem gostaria de ter enviado, viu? A melhor recusa? Claro, é a última carta. Mas só vai ter graça depois de você ler todas as outras. ;-)
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Oi!
Nossa… Que susto bom!
Digitei “livros” na pesquisa de blogs do Google e vim parar aqui no seu (lindo) blog… Nesse post que fala sobre um livro que comprei recentemente.
É mesmo divertidíssimo!
Um grande abraço.
Bom trabalho.