10 de September de 2009

(des)encontros de adolescente

Atualizado por Juliana às 12:03 | Comentar

Esses dias estava conversando sobre vida amorosa quando parei para refletir naqueles desencontros clássicos que todo mundo teve na adolescência. Sabe como é? É aquele cara que você nunca entendeu direito porque tinha um comportamento tão, digamos, diferente com você e, anos depois, você foi ter um insight magnifíco: “acho que ele era a fim de mim!”.

Ainda não sei se foi bom ou ruim eu só ter me dado conta disso tão tarde na vida, mas, enfim, existem coisas que levamos tempo para aprender, não tem jeito. Alguns, confesso, foi até sorte eu não ter me mancado, porque seria roubada dar bola. Já tem um ou outro que, no fundo, gostaria de ter conferido. ;-) Vou dar dois exemplos clássicos, os que mais me marcaram. Não diria que teria feito algo muito diferente se tivesse outra chance, mas são histórias engraçadas (e, certeza, vocês passaram por algo semelhante).


O primeiro era um cara que quase nunca falava comigo, mas sempre me
defendia. Eu era a maior cdf, então era bastante zoada, como vocês
podem imaginar. Por ser inteligente, obviamente, era considerada feia. Tudo bem que não era a beldade da sala, mas também não era tão
assustadora assim. Mas ele sempre era o que fazia a linha “parem com
isso”. Eu achava que ele era apenas um cara mais maduro. Então, um dia, eu
estava meio mal e ele, do nada, veio para mim e falou assim:

– Ju, sabia que o (cara considerado o mais gato na cidade) disse que acha você a segunda menina mais bonita de Salto?

Juro! Foi tão inesperado, gracinha e sei lá o quê, que fiquei em
choque. Acho que consegui balbuciar um “não” tremidinho. Na época,
não entendi o que ele queria dizer com aquilo. Até achei que estava
me zoando (sério, era complexada). Um tempo depois, nos vimos em uma
balada e começamos a falar de vestibular, faculdade, nossas grandes
preocupações no colegial. E ele soltou um:

– Eu adoro conversar com você, porque você tem assunto de verdade, não é como a maioria das meninas.

Nesse dia eu pensei: “o cara me defende sem eu estar por perto, me fez
um elogio totalmente surreal e agora vem com essa?! Gente, esse cara é
a fim de mim!”. Sério, adolescência é uma fase tímida da existência para
todos, não deve ter sido fácil ele falar que eu era
considerada bonita (mesmo que por outro cara) nem que eu era legal. E o
que eu fiz? Agarrei o cara e dei um beijão de cinema? Não, claro. Eu
era tímida. (Sim, já fui tímida, mas faz tempo.)

O outro era aquela relação básica de colégio. No primeiro ano, éramos amigos. Ele era o que fazia bagunça na sala, eu era a que tirava boas notas. Ele me defendia da zoeira, eu o defendia da repetência. :P Todo mundo jurava que éramos namorados, especialmente os professores, que sempre me pediam para dar uns “conselhos” para ele (mereço?). Até minha mãe queria que eu pegasse o cara (mereço?!).

Ele era o cara que sempre me dizia quem eram as meninas lindas,
gostosas, gente-fina da turma… E, claro, eu nunca era uma delas, eu
não era “pegável”. Seus cortes de cabelo passavam pela minha aprovação. Ele gravou uma fita com várias músicas que gostava e fez o encarte a mão, em papel especial e com uma letra toda bonita para me dar de presente. Sério, gente, hoje percebo que ele era muito a fim de mim.

Mas, eu era tímida (vamos reforçar, rs). E estava tão feliz em ter finalmente amizade com meninos que fui dando uma de desentendida até que um dia ele resolveu fazer a linha “somos só amigos”. E eu fiquei com cara de pastel, mas aceitei. Aí ele se revoltou quando eu saí com outro cara e nos odiamos. E ficamos nos odiando e nos adorando até acabar o colégio. Aliás, acho que até hoje, huahuahaua… Nas poucas vezes que nos encontramos depois disso, sempre foi “bipolar”. Rola um misto de euforia com medo e resignação. E saem faíscas. Eu vejo. Nem sempre boas, mas saem.

(Um adendo: nunca rolou nada com esses caras, nem selinho!)

Mas se tem uma coisa positiva que aprendi com essas e outras histórias semelhantes é, sempre, resolver comigo antes o que eu quero e não ficar esperando o cara dar “sinais”, “passos” etc. Parar de ser tímida e de ser cega. Eu odeio paquera, confesso. Odeio mesmo, acho chato, cansativo, desnecessário. Por isso, hoje só embarco em relacionamentos se realmente tô a fim. Sem joguinhos, sem hesitações, sem ficar “puxando a cordinha para ver se mexe”, como diria um amigo meu. E quem faz isso comigo, leva um scenopt (saio correndo e não olho para trás). Na boa (é o meu jeitinho, rs).

Agora quero saber de vocês: quais foram os desencontros (ou encontros!) da adolescência? Contem! Contem! Contem! Podem comentar anonimamente, se preferirem. ;-)

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