A maioria das minhas amigas, quando fica solteira, reclama principalmente da falta do que fazer. Afinal, sem uma pessoa para acompanhá-las em cinemas, shows, barzinhos etc (vulgo “namorado”), elas acabam ficando em casa à tôa. Geralmente, remoendo o fim do relacionamento e lamentando não terem encontrado uma pessoa nova. Depressão total, não é? Eu também acho. (Engraçado que os meninos não parecem sofrer desse mal, né? rs)
Não vou negar: já sofri muito com essa sensação de vazio… Porque, afinal, por mais amigos que se tenha, é um pouco complicado arrumar companhia para todos os programas que a gente pensa em fazer. Às vezes, ficamos até meio sem graça de sair ligando para meio mundo e parecer a mala abandonda da turma. Eu sei como é!
Sair sozinha é uma arte. Requer prática, disposição e despreendimento. Primeiro, não é todo programa que rola fazer sozinha. Por exemplo: ir para barzinhos sozinha não dá! Se você quiser ir em um restaurante, café ou até mesmo uma balada sozinha, até rola. Mas barzinho é um nível ultra-plus-advanced. Eu quase fiz isso umas três vezes nos últimos meses, na última hora desisti. Porque… né? É complicado! :P (Se um dia eu conseguir, eu conto como foi.)
Nessas fases solteiras, eu já criei uma série de roteiros bacanas para me distrair sozinha. Muito além do clássico ler um livro, cultivar um hobbie (pintar, fazer bijouteria, bordar…) ou ver filmes embaixo do edredon – apesar de todos serem ótimos. Aqui estão os programas fora de casa que eu adoro fazer sozinha:
Caminhar. Escolha o seu bairro favorito, aquele em que você gostaria de morar, mas fica muito além do seu orçamento. Coloque uma roupinha bonita, um sapato confortável (não precisa ser roupa de ginástica) e saia para andar um pouquinho durante o dia. Aproveite pra mentalizar sua vida morando naquela vizinhança privilegiada e envie boas vibrações pelo ar. Eu até tenho uma dica ótima de caminhada para malhar o ego. Sabe qual é? Ande por uma avenida (aqui em São Paulo, minha favorita é a Brasil) na calçada que vai no sentido contrário aos dos carros. Coloque seus óculos escuros, mantenha a cabecinha reta, mas vai reparando com o cantinho dos olhos quantos motoristas olham para você. Cuidado: o excesso pode causar insolação! rs
Exposições de arte e museus. Toda uma aura de inteligência, mistério e bom gosto, né? Existem inúmeras exposições gratuitas nas grandes cidades (agora mesmo está rolando uma no MuBE e outra no Sesc Pompeia aqui em São Paulo). É só conferir os programas nos guias de sexta-feira dos jornais. Você fica o tempo que quiser, olhando as obras que preferir, sem ter que aguentar o mau humor de quem não entende ou a arrogância de quem acha que entende. Eu comecei fazendo isso na faculdade por obrigação e hoje é um vício. A Mari já deu a dica de como ir nos museus de Sampa sem gastar nada. Experimente!
Cinema e teatro. Ai, esse é controverso. Mas não tem nada de absurdo. Afinal, a gente vai no cinema e no teatro para ver e ouvir, e não falar e ser visto. Sabe aquele filme que só você quer assistir? Ou aquela peça ultraconceitual que só você tá com vontade de ver? Vai sozinha! Até porque é fácil conseguir bons lugares quando você só precisa de uma poltrona. Aqui também vale conferir nos guias onde estão acontecendo mostras e exibições gratuitas.
Shows. Eu fui no show da Madonna acompanhada. Eu sei disso porque lembro de ter conversado com minha companhia no caminho da ida e da volta. Mas durante o show… Eu nem sei se ele estava curtindo ou não, porque eu estava completamente histérica e absorta com aquelas luzes no palco. Agora pense: nos shows mais bacanas da sua vida não foi mais ou menos isso que aconteceu? Você ficou cantando, batendo palmas, dançando e gritando sem se importar com quem estava do lado, não foi? Então que diferença faz se você for sozinha? Vai por mim: nenhuma.
Compras. Não preciso entrar em detalhes, certo? Mas fazer compras sozinha é muito bom. Primeiro, você aprende a tomar decisões por si. Segundo, não corre o risco de levar algo porque outra pessoa te convenceu a isso. E terceiro: você fica o tempo que quiser, entrar em todas as lojas que gosta, experimenta tudo o que tem vontade… O mesmo vale para passeios em livrarias, lojas de eltrônicos, pet shops e qualquer outra coisa que você curta consumir. Só cuidado para não fazer a louca do cartão de crédito.
Comer. Uma das melhores coisas para fazer sozinha em termos gastronômicos é tomar o café-da-manhã em um buffet de padaria, lendo o jornal ou sua revista favorita. Linda, fina e repetindo sem dó. :P
Rezar. De verdade. Provavelmente na sua religião há uma série de eventos, trabalhos voluntários e atividades em grupo acontecendo nos finais de semana. Conhecer gente, praticar o bem, desenvolver sua espiritualidade… Um milhão de benefícios aos seu alcance. Se você estava a fim de conhecer uma nova religião, fazer um retiro, praticar meditação… A hora é agora. Até porque, se você se arrepender e achar que não tem nada a ver, não vai precisar ficar dando explicações depois.
Visitar a família que mora longe. Quem namora sabe como é difícil convencer o namorado a ir com você visitar os parentes que moram em outra cidade. Ainda mais complicado é abrir mão do final de semana a dois para viajar sozinha. Então porque você não aproveita que está livre e desempedida para fazer isso? Aposto que sua avó vai ficar superfeliz em te receber no final de semana. Sem falar que visitar parentes é o jeito mais barato de viajar que existe: você só gasta com as passagens e, eventualmente, com alguma baladinha com os primos no sábado.
Combinando essas atividades com as saídas com os amigos, dá para ter finais de semana bastante movimentados, mesmo solteira. Capaz de você sentir falta dessa época quando começar a namorar de novo. ;-)
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