livros: decifrar pessoas
27 Jul
Durante minhas férias, me peguei num daqueles domingos à tôa em São Paulo, sem televisão a cabo, sem internet funcionando, sem ninguém no apartamento… Então resolvi dar uma volta pelo bairro e adotar a estratégia número um contra o meu tédio (antes que eu entrasse em uma onda de depressão achando que minha vida é uma miséria porque estou solteira). Qual é? Fazer coisas que nunca fiz antes!
É estúpido, mas funciona! Então eu fui no McDonald’s e pedi um lanche que nunca tinha comido (Quarteirão com Queijo, sem graça no último). Depois, fui na Fnac Pinheiros, que não conhecia (juro!). E, claro, me perdi no andar de livros. E, claro, deixei um rim em livros no caixa. :P
Acabei levando dois livros. O primeiro ainda não li (e é livro “difícil”, então estou criando coragem). O outro, sobre o qual falarei aqui, li rapidinho. É o Decifrar pessoas: como entender e prever o comportamento humano, da Jo-Ellan Dimitrius e da Wendy Mazzarella. Custou 80 pilas e eu só não desisti diante do preço (posso falar disso no meu blog? Posso, né? rs) porque o livro foi altamente recomendado por várias pessoas, inclusive um professor da pós-graduação.
A autora ajuda a selecionar jurados para casos de grande repercussão nos EUA. No livro, ela lista algumas pistas que podem ajudar a descobrir se alguém é conservador ou rebelde, tímido ou extrovertido, autoritário ou solidário, sensível ou durão etc.. Essas pistas estão no modo da pessoa se vestir, nos gestos, na fala, no tom de voz, nas gírias, nos olhares… É muito interessante! Além de permitir uma melhor compreensão do outro, ajuda a fazer uma autoavaliação sobre a mensagem que passamos para as pessoas (e eu preciso muito aprender a não falar como se estivesse em um palco, projetando a voz a 200 quilometros de distância!).
Obviamente não é o Santo Graal. Você não vai imediatamente aprender a sacar todo mundo só pelo modo como as pessoas se vestem, ou falam, ou gesticulam. Na verdade, para mim, o maior benefício desse livro foi justamente o contrário: não foi aprender a decifrar pessoas corretamente, mas a não julgá-las de forma muito limitada. Descobri coisas que eu interpretava sempre do mesmo jeito, mas que poderiam ser indícios de muitas outras características e personalidades.
Vou dar um exemplo: eu conheço uma pessoa que acho absolutamente arrogante e “dona da verdade”. Porém, essa pessoa fala super baixo. Isso sempre foi uma incógnita para mim, porque na minha cabecinha quem fala baixinho é tímido e inseguro, e foi essa a impressão inicial que eu tive dessa pessoa – não preciso dizer que caí do cavalo quando levei uma sacolejada daquelas, preciso? No livro, veio a luz: algumas pessoas arrogantes falam baixo porque acreditam que, se você quiser ouvir o que elas têm a dizer, você é quem tem de se calar e prestar o máximo de atenção nelas. Isso, para elas, é um sinal de que você é “inferior” e elas são “superiores”, entendeu? Acho que levaria anos para me dar conta disso sozinha (e, talvez, rejeitasse a ideia se a tivesse sozinha!).
Para quem lida com público e/ou quiser aprender mais sobre comportamento humano (e sobre si próprio), recomendo! A edição de 2009 foi atualizada com um capítulo sobre como decifrar pessoas na internet, então sugiro que vocês procurem por essa (em sebos, provavelmente vai estar a edição antiga).








Também conhecida como Ju Mary. 25 anos, São Paulo. Produtora Editorial. Cinema, música, teatro, dança, artes plásticas, literatura, gastronomia, moda, consumo, futilidades, eu, você, o mundo. De tudo um pouco....
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