Arquivos | July, 2009

livros: decifrar pessoas

27 Jul

Durante minhas férias, me peguei num daqueles domingos à tôa em São Paulo, sem televisão a cabo, sem internet funcionando, sem ninguém no apartamento… Então resolvi dar uma volta pelo bairro e adotar a estratégia número um contra o meu tédio (antes que eu entrasse em uma onda de depressão achando que minha vida é uma miséria porque estou solteira). Qual é? Fazer coisas que nunca fiz antes!

É estúpido, mas funciona! Então eu fui no McDonald’s e pedi um lanche que nunca tinha comido (Quarteirão com Queijo, sem graça no último). Depois, fui na Fnac Pinheiros, que não conhecia (juro!). E, claro, me perdi no andar de livros. E, claro, deixei um rim em livros no caixa. :P

Acabei levando dois livros. O primeiro ainda não li (e é livro “difícil”, então estou criando coragem). O outro, sobre o qual falarei aqui, li rapidinho. É o Decifrar pessoas: como entender e prever o comportamento humano, da Jo-Ellan Dimitrius e da Wendy Mazzarella. Custou 80 pilas e eu só não desisti diante do preço (posso falar disso no meu blog? Posso, né? rs) porque o livro foi altamente recomendado por várias pessoas, inclusive um professor da pós-graduação.

A autora ajuda a selecionar jurados para casos de grande repercussão nos EUA. No livro, ela lista algumas pistas que podem ajudar a descobrir se alguém é conservador ou rebelde, tímido ou extrovertido, autoritário ou solidário, sensível ou durão etc.. Essas pistas estão no modo da pessoa se vestir, nos gestos, na fala, no tom de voz, nas gírias, nos olhares… É muito interessante! Além de permitir uma melhor compreensão do outro, ajuda a fazer uma autoavaliação sobre a mensagem que passamos para as pessoas (e eu preciso muito aprender a não falar como se estivesse em um palco, projetando a voz a 200 quilometros de distância!).

Obviamente não é o Santo Graal. Você não vai imediatamente aprender a sacar todo mundo só pelo modo como as pessoas se vestem, ou falam, ou gesticulam. Na verdade, para mim, o maior benefício desse livro foi justamente o contrário: não foi aprender a decifrar pessoas corretamente, mas a não julgá-las de forma muito limitada. Descobri coisas que eu interpretava sempre do mesmo jeito, mas que poderiam ser indícios de muitas outras características e personalidades.

Vou dar um exemplo: eu conheço uma pessoa que acho absolutamente arrogante e “dona da verdade”. Porém, essa pessoa fala super baixo. Isso sempre foi uma incógnita para mim, porque na minha cabecinha quem fala baixinho é tímido e inseguro, e foi essa a impressão inicial que eu tive dessa pessoa – não preciso dizer que caí do cavalo quando levei uma sacolejada daquelas, preciso? No livro, veio a luz: algumas pessoas arrogantes falam baixo porque acreditam que, se você quiser ouvir o que elas têm a dizer, você é quem tem de se calar e prestar o máximo de atenção nelas. Isso, para elas, é um sinal de que você é “inferior” e elas são “superiores”, entendeu? Acho que levaria anos para me dar conta disso sozinha (e, talvez, rejeitasse a ideia se a tivesse sozinha!).

Para quem lida com público e/ou quiser aprender mais sobre comportamento humano (e sobre si próprio), recomendo! A edição de 2009 foi atualizada com um capítulo sobre como decifrar pessoas na internet, então sugiro que vocês procurem por essa (em sebos, provavelmente vai estar a edição antiga).

a pequena ladra de rosas

26 Jul

Hoje eu estava lendo o Post Secret e esse cartão me fez lembrar de algo da minha infância que já estava esquecido. Eu lembrei que minha avó tinha uma roseira no quintal dela quando eu era bem menina, coisa de cinco ou seis anos, e que eventualmente ela nos deixava pegar uma rosa para dar de presente para a professora.

Eu adorava isso: poder colher a rosa linda (era uma mistura de cor-de-rosa com amarelo) e dar de presente para alguém que, na época, eu admirava tanto. Particularmente, não ganhei muitas flores na minha vida e nem é algo que eu faça questão, sabe? Mas eu adorava dar!

Tanto que, quando eu ia para a escola a pé, ficava babando nos jardins alheios e sentindo impulsos de pular o muro baixo e roubar a flor. Uma mistura do prazer de presentear as pessoas com a sensação de “proibido” correndo na veia. Não me lembro exatamente de ter tido coragem de ceder ao impulso (até porque eu não ia para a escola sozinha). Mas da sensação, nossa, dela eu lembro muito bem. Eu a sinto até hoje! ;-)

Bem que os meninos poderiam receber flores também, né? Eu acharia a última moda em romantismo dar flores roubadas para o dono do meu coração. Pena que, assim como não tenho para quem dar esse tipo de presente, não existem mais jardins com muros baixos e roseiras apetitosas na minha cidade.

restrição dos fretados

24 Jul

Eu sei que estou ausente no blog, mas estou super ocupada ultimamente. Voltei de férias e logo depois minha chefe saiu de férias. Além disso, estava terminando o trabalho da pós (que entreguei um dia antes do prazo final, ufa!). E agora, para ajudar, estamos com um problemão para resolver: a zona de restrição dos fretados que começa na segunda-feira.

Para quem não sabe, a partir de segunda-feira os veículos de “transporte coletivo privado”, conhecidos como ônibus fretados, não poderão mais circular pelo centro de São Paulo. Essa zona de restrição é um pouco menor que a de rodízio de carros, mas pega as principais avenidas comerciais da capital, como a Paulista, a Faria Lima, a Berrini e todo o Centro. Nem preciso dizer que a maioria das pessoas que usa fretamento trabalha justamente nessas regiões, né?

Além de não poderem circular, os ônibus agora possuem pontos de parada pré-definidos pela prefeitura nas ruas que fazem as “margens” da zona de restrição. Nesses pontos foram criados bolsões e de lá as pessoas poderão pegar metrô, trem ou ônibus circular. Só no metrô, a estimativa é de mais 25.500 usuários por dia (todos entrando por volta de oito, nove horas e saindo às dezoito, imagina!).

Não só os ônibus, mas também micro-ônibus e vans estão proibidos de circular fazendo paradas (pinga-pinga). A única exceção é se esses veículos tiverem garagem dentro da zona de restrição e forem direto para o estacionamento, sem paradas. Eles serão controlados por GPS e, quem desobedecer, está sujeito a uma multa de cerca de 85 reais por hora.

Como eu moro em outra cidade, venho ao trabalho de fretado todos os dias. Minha empresa fica fora da zona de restrição e, provavelmente, vou continuar pegando o ônibus no mesmo lugar na ida e na volta (na ida porque é fora da área restrita e na volta porque é um bolsão). Mas é claro que ninguém sabe, ao certo, como será. Como muita gente no meu ônibus trabalha na Paulista e agora vai precisar de outro(s) transporte(s) para chegar na empresa, é provável que eu tenha de sair ainda mais cedo e chegar ainda mais tarde. Preciso falar mais alguma coisa?

A prefeitura acredita que a maioria dos usuários vai continuar usando transporte coletivo (seja público ou privado) e não seus carros e que a medida vai agilizar o tráfego de ônibus circular em 15%. Eu acho essa porcentagem muuuuito otimista e não sei se compensa os 40 mil usuários adicionais no transporte público (estimativa muuuuito otimista também). Claro que existem empresas e empresas, e muitos fretados circulavam com ônibus velhos, sem registro na prefeitura, parando a cada esquina… No ano passado, começaram a regulamentar, mas a zona de restrição é muito grande, na minha opinião.

Algumas entidades e empresas de fretamento fizeram protestos (inclusive um ontem na Paulista) e estão estudando entrar com liminares. Prefeituras de cidades próximas, especialmente da Baixada Santista, também entraram na negociação. Ouvi até que haveria retaliação da prefeitura de Santos, com a criação de restrições para ônibus com placas de São Paulo, mas não sei se é verdade. No meu caso, se a coisa ficar muito complicada, vou voltar a morar de vez na capital – algo que eu não queria fazer e é a última coisa que pretendo fazer.

Bom, segunda-feira está aí para a gente descobrir. Estão preparados para o caos? Mesmo que você não use fretamento, eu sugiro dar uma olhadinha nos mapas que estão nos principais jornais e evitar pegar ônibus, metrô ou trem na área dos bolsões, porque vai ficar lotado…

sobrevivendo no trabalho – telefone

23 Jul

E um belo dia você começa a trabalhar. Tem aquela empolgaçãozinha inicial, mas também tem muito medo de fazer coisas erradas. Muitas vezes, a gente dá umas mancadas porque… nunca se deu conta de que aquilo não era muito legal. E como ser estagiário é “fazer o que ninguém mais na empresa quer fazer” (até você virar “assistente” e só fazer o que o seu chefe não quer fazer, rsss), é bem fácil cometer deslizes (seja por mau humor, distração, falta de conhecimento ou todas as anteriores!).

Achei interessante selecionar alguns conselhos básicos (e engraçadinhos) para vocês. As dicas, claro, são empíricas e baseadas na minha experiência e nos milhares de livros aconselhamento profissional que já li. Podem palpitar (e corrigir!).

SOBREVIVENDO NO TRABALHO — TELEFONE

Alô, tudo bem, como vai?

Atender telefone é algo que você vai fazer muuuuito no início da sua carreira. Observe seus colegas: eles falam o nome da empresa? O nome do departamento? O próprio nome? Bom dia, boa tarde, boa noite? Tudo isso junto? Na dúvida, pergunte ao seu chefe como ele quer que você atenda ao telefone logo nos primeiros dias no seu emprego/estágio. De forma geral, dizer o nome da empresa já é suficiente (duas horas falando quatrocentas coisas é muito chato). E evite atender como se estivesse na sua casa, com “alô”, “oi”, “pronto”, “pois não”…

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reforminha

16 Jul

Gente, começa hoje a saga da troca do template aqui do blog, vai ficar estranho por uns dias… Não reparem! ;-)

Beijos!

quer descobrir os podres de alguém? brigue com ele!

16 Jul

Eu acho impressionante uma coisa que sempre acontece comigo quando eu tenho algum desentendimento público com uma pessoa (namorado, amigo, amiga…): eu descubro todos os podres da vida dela!

Não é que eu vá atrás disso! As pessoas é que vêm atrás de mim para me contar.

O curioso é que, antes, ninguém falava nada sobre o indivíduo em questão. Pelo contrário, só faziam elogios; mesmo que vagos, ainda eram elogios. Aí você tem uma briga com essa pessoa e todo mundo vem dizer que ela falou mal de você não-sei-quando, que ela é uma sacana porque fez não-sei-o-quê com não-sei-quem… Mas se ela não prestava, por que ninguém me avisou antes? Né?

Acho simplesmente incrível essa “sincronicidade”, gente! (/ironia)

micro resumo da flip

14 Jul

Como alguns sabem, eu estava de férias e aproveitei para curtir a 7ª Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip. Foi uma viagem meio na base do “tô indo, quem quiser ir, a gente se vê por lá”. Isso porque eu cansei de ficar esperando meio mundo se decidir para chegar quinze dias antes da viagem e dar para trás. (Verdade.)

Acontece que a Flip por si só é disputadíssima e tudo piora a medida que julho se aproxima. Para completar, Chico Buarque estava entre os palestrantes. Curiosamente, a primeira vez (e única até então) que eu fui na Flip, era com ele também, lançando Budapeste. Além disso, Gay Talese, um jornalista super conceituado e adorado por todos os estudantes de Jornalismo Literário, Narrativo e/ou New Journalism, também iria. Não dava para enrolar, muito menos ficar esperando, certo?



Entrada da Tenda dos Autores – tá vazia porque tirei a foto de manhã no primeiro dia!

Como eu iria sozinha, acabei escolhendo um pacote em quarto coletivo no hostel Casa do Rio. Claro que deu um medinho dormir com mais cinco pessoas que nunca tinha visto na vida, mas aí pensei comigo: eu quero ir para outro país, provavelmente para ficar em albergues, e estou com medinho de fazer isso em Paraty? Não fazia sentido. E, confesso, a melhor coisa que eu fiz foi ir sozinha e ficar no hostel.



Paraty Hostel – Casa do Rio – visto do outro lado do rio.

Uma galera fez isso também e eu fiz amizades em quinze minutos, não em três dias (uau!). Fora o pessoal da pós e outros conhecidos que foram para lá (apesar de seguirem uma programação bem menos intensa que a minha), o pessoal do albergue garantia a companhia. Mas eu também andei muito sozinha, porque algumas palestras só eu tinha comprado, essas coisas. De qualquer forma, foi ótimo, cansativo (muuuuita informação) e intenso! :D

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