não existe amor como o primeiro amor
28 May
Você lembra do seu primeiro amor? Não aquele menino que você achava gatinho na quinta série, nem aquela paixão platônica do colegial… Eu falo do primeiro amor correspondido, o primeiro namorado mais sério… Aquele que fez você pensar pela primeira vez que você era especial, que você ia casar um dia, que você ficava combinando o seu sobrenome com o dele e todas as bobagens correlatas. Lembra?
Aí um dia esse namoro acaba e você acha que vai morrer de tanto sofrer. Dói, dói muito. Não vou negar… E todo mundo fica na sua orelha dizendo (como consolo mesmo) que você vai conhecer outra pessoa ainda mais bacana e se apaixonar de novo. Não é mentira! Você conhece mesmo e se apaixona de novo.
E esse namoro também acaba e assim por diante. Só que não é a mesma coisa. É diferente… Parece que seu cérebro criou um certo bloqueio e você sofre, mas não é um sofrimento de querer cortar os pulsos para fazer a dor parar, sabe? Não que seja bom, mas não é tão ruim como foi da outra vez.
E entre namoros e rompimentos você vai ficando mais “forte” e sobrevivendo. Você descobre que pode ficar sozinha e que não vai ficar sozinha, só se quiser. Você é mais você, vamos dizer assim. Chega uma hora que terminar um namoro é um aborrecimento, você chora um pouco, lamenta que deu errado algo que tinha tudo para dar certo, mas no dia seguinte segue em frente.
Não sei se isso significa que amamos menos o outro. Acho que é um sinal de que amamos mais a nós mesmos. A questão é que, na fase do primeiro amor, somos tão despreparados e nos conhecemos tão pouco, que a gente se projeta demais no outro. Por isso dá essa merda toda. Mas a medida que você se conhece e cria sua própria identidade, fica mais fácil. Afinal, você é você, você não muda porque está sem namorado: seus amigos (os seus, não os dele) continuam os mesmos, seu trabalho, sua família… É só uma faceta da sua vida que muda.
Talvez o primeiro amor fique tão marcado na nossa memória nem tanto
pelo amor em si, mas por tudo que aquele rompimento nos custou… Lembro mais como foi difícil terminar meu primeiro namoro
mais sério do que a fase de “paixonite” do começo (tá bom, o fato de
fazer muito tempo também afetou a memória, rss). Estava lendo meus posts pós-rompimento dos relacionamentos anteriores e, nossa, hoje sou praticamente um monge zen
budista nesse aspecto. E a calma toda não é por amar menos, não!
Por isso concordo quando dizem que não existe amor como o primeiro amor. É porque é meio triste admitir essa certa neutralidade que vem com o tempo, já que idealizamos um amor de entrega completa, identificação imediata e um milhão de reações físicas alucinantes por segundo pela simples presença da pessoa amada. Da mesma forma, aprendemos a pensar que terminar um namoro será um martírio obrigatoriamente, mas não é para tanto.
Autoparafraseando-me (uau!), só é difícil terminar o primeiro namoro e sair do primeiro emprego. Com o tempo (e a repetição), fica mais fácil. De verdade! Sei lá, acho que aprendi a ouvir e entender os motivos dos outros, e a respeitar isso. “Deixar livre as pessoas que amo” blá blá blá… E vamos em frente, né? Que ninguém nasceu nesse mundo para mendigar o amor alheio!






Também conhecida como Ju Mary. 25 anos, São Paulo. Produtora Editorial. Cinema, música, teatro, dança, artes plásticas, literatura, gastronomia, moda, consumo, futilidades, eu, você, o mundo. De tudo um pouco....
Recent Comments