vermelho-tarô

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Jantar italiano. Massas e vinho. Eu preocupada com mil coisas, ele também, mas era só para a gente se distrair, então comecei a falar de trivialidades. Como a vontade de ir a um tarólogo, ou qualquer que seja o nome, para ler as cartas para mim. Eu nunca fui! E agora achei um que parece ser bom, a irmã de uma amiga foi...

"Você quer mesmo saber das coisas?"

Não, eu tenho essa curiosidade -- que acredito que todo mundo tenha -- de ver o que ele vai falar sobre mim, se vai "bater", ou se ele vai viajar na maionese e falar coisas nada a ver. E, claro, se tiver alguma diquinha para me trazer sorte no futuro, por que não?

"Ok, eu vou ligar para um amigo meu que lê cartas."

Agora? Assim? Não, não... Mas para perguntar o quê? E pode ser na minha frente? E se ele falar algo sobre mim? Não quero mais! :P

"Calma, Ju. Só vou fazer uma pergunta, tá bom?"

Combinamos a pergunta e era mais ou menos neutra. Na verdade, era sobre um assunto que vai e volta nos últimos meses. Eu tenho uma opinião, ele tem outra, mas não era nada que poderia causar uma briga ou uma polêmica entre nós dois. Concordei. Ele ligou. E, claro, começou um festival de "Hum. Sei. Aham. Lembro. Hum. Sei. Aham. Tá." que me matou de curiosidade enquanto eu dava garfadas famintas no meu prato.

Num certo momento, talvez porque tinha uma reforma no prédio vizinho ao restaurante e começou uma barulheira dos infernos, eu parei de ouvir os "hum, aham" e comecei a reparar na expressão dele. A princípio ele estava muito animado, mas então o seu rosto começou a ficar vermelho. Não um vermelho de raiva, um vermelho de quem está nervoso, triste, algo assim. Pensei: as cartas estão falando mal de mim! Como eu fui deixar isso acontecer?

"Ele não falou nada demais."

E disse o que o amigo tarólogo leu e qual a recomendação dele. Realmente, a resposta não era nada demais e, de certa forma, batia com a minha opinião sobre o assunto. Não foi surpreendente. Mas eu vi a cara dele, e ninguém pode me tirar a certeza de que algo não estava bem... Ok, ele não falou nada além disso, mas o que nessa resposta te deixou tão abalado?

"Não sei, acho que foi a possibilidade de perder você por fazer as coisas sem pensar direito nelas antes. Eu não quero te perder por nada e você sabe disso."

Eu não tenho certeza, mas acho que foi a minha vez de ficar vermelha. Não de raiva, nem de tristeza, nem de vergonha. Vermelha de amor mesmo.

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Juliana Vargas. 23. Produtora Editorial. Cinema, música, teatro, dança, artes plásticas, literatura, gastronomia, moda, consumo, futilidades, eu, você, o mundo. De tudo um pouco.

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Esta página contém um post de Juliana publicado em abril 16, 2008 9:24 AM.

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