(Não, eu não vou fazer um post sobre moda e como é importante se vestir bem. A apresentação aqui vai além disso.)
Esse ano eu aprendi duas lições amargas, mas o bom é que a gente aprende e não comete mais o mesmo erro. E não cometer mais o mesmo erro é doce, bem doce. O engraçado é que as duas lições tinham tudo a ver com apresentação e como se comunicar com duas pontas fundamentais do meu trabalho aqui. A primeira é o agente literário. A segunda é o livreiro.
Ok, eu sou assistente. Eu não lido diretamente com agentes. Não sou eu quem manda e-mails sugerindo valores para livros estrangeiros que eu queira publicar no Brasil. E também não sou eu quem faz a distribuição dos livros, aliás, eu paro bem antes, ali na hora de enviar o material para a gráfica. Mas isso não me tira a responsabilidade de primar por uma comunicação excelente com todos eles.
A primeira lição merece uma explicação. Pouca gente sabe, mas a disputa pelos direitos de publicação de obras estrangeiras geralmente gera um leilão. Às vezes, muito raramente, é possível comprar antes do leilão. Mas um título importante normalmente é disputado e, claro, leva quem pagar mais. Ou não. Esse "ou não" foi a lição. Perdemos um livro ano passado pelo mesmo valor. Mas como, se nós fizemos a oferta antes? Apresentação. O vencedor enviou, junto à oferta, uma carta. E essa carta fez toda a diferença, porque o editor se preocupou em mostrar porque seria bacana aquele livro ser publicado pela editora dele e não por outra. Só isso!
A segunda lição veio na segunda-feira, em duas partes. A primeira parte foi minha chefe contando sua experiência em uma livraria enorme daqui de São Paulo neste fim de semana. Alguém queria comprar um livro sobre a China, que fosse atual, sobre economia e negócios, mas sem ser técnico. E o vendedor ofereceu livros de história, cultura, artes... Não era nada daquilo. E ela sabe que existe um livro que atende exatamente àquela demanda porque nós o traduzimos no ano passado! Mas o vendedor não sabia.
A segunda parte foi uma matéria n'O Globo falando sobre o sucesso do "A menina que roubava livros". Um livro modesto, de um autor desconhecido, australiano ainda por cima (e a Austrália não é um país referência em literatura para nós, brasileiros, mesmo tendo autores excelentes). A editora é relativamente nova, começou em 2004 apenas. Mesmo assim, o livro está há um ano na lista de mais vendidos e com muito fôlego ainda. A que eles atribuíram tanto sucesso? Aos livreiros! Sim, você vai na livraria e o vendedor recomenda porque ele conhece o livro. Mas ele não conhece o MEU livro.
A falha está onde? Aqui. Mas, como eu disse, essas lições são para a gente aprender e melhorar nosso trabalho. Estejam certos que tomamos providências, mudamos estratégias e buscamos soluções mais eficientes todos os dias — inclusive, já começamos a colher resultados! De qualquer forma, como eu acho que mais importante do que aprender, é preciso compartilhar, senti que devia dividir esses pequenos casos com vocês e, se houver interesse, vou dividir muitos outros. Até porque a vida em uma editora é como um cassino: a gente nunca sabe qual aposta vai ser o best-seller de amanhã, rs. :)