Eu tenho uma relação bastante complicada de amor e ódio com o orkut. Hoje eu tento ao máximo ficar bem longe desse sitezinho do demo, porque é uma tentação. É o famoso “quem procura, acha”. O orkut é o principal alimento do coração partido e do coração desesperado, aquele que quer se apaixonar por qualquer coisa, por pior que ela seja. E eu (ainda) não estou em nenhuma dessas situações, mas como minha alma sempre foi muito curiosa, não custa nada evitar, né?
O orkut, por sinal, foi um dos principais catalisadores do meu último namoro. Claro, para namorar com alguém que mora a 400 km de distância, a internet é fundamental. Mas nem foi por isso, foi antes. Eu fiz uma coisa absolutamente estúpida, infantil e idiota — é, eu sei, mas eu fiz. Eu vou confessar para vocês tudo, a little story of my life… Eu usei o orkut para ficar provocando pessoinhas.
Quer coisa mais estúpida do que isso? Não!
Veja bem, eu estava num momento de desilusão em relação aos homens. Acontece com as melhores mocinhas. Todos os meus relacionamentos eram barcas furadas em que eu ficava lá me matando para fazer a pessoa feliz e recebia só esculacho de volta. Quando encontrei o cara mais que perfeito, descobri que ele tinha namorada no Paraná (orkut again). Ou seja, eu seria, na melhor das hipóteses, a outra. Na pior das hipóteses, eu era um nada. Total depressão, certo? Foi então que eu achei uma pessoa que também queria provocar os outros pelo orkut e entrei na dança.
Comecei brincando e a coisa tomou uma proporção que eu nunca imaginei… Quando eu vi, estava absolutamente envolvida naquela coisa de mensagem carinhosa daqui, música melosa dali… Alimentava meu ego e aumentava minha auto-estima, não só por ler as mensagens, mas por ver os ataques histéricos de ciúmes de quem tinha me desprezado antes. (Ai, ai, fui péssima e ridícula… Eu sei!)
Gente, eu sou uma romântica por natureza e eu adoro namorar! Lógico que eu ia cair na minha própria armadilha. Ló-gi-co!!! E eu namorei mesmo com meu “falso” namorado, o que era palhaçada virou verdade. Meio que um final feliz, né? Eu nem merecia, afinal, nunca tive a melhor das intenções. Verdade seja dita, nem ele! Mas eu estava envolvida de verdade e passei momentos muito felizes acreditando que estava amando e sendo amada de volta numa sintonia fina.
Exceto por um fato: eu acho que, quanto mais escancarada a coisa, menos verdadeira ela é. Sabe quando você faz uma coisa para mostrar pros outros e só? Então, eu naturalmente fui criando uma postura mais discreta em relação a tudo isso e qualquer coisa relacionada a orkut + namoro me irritava. Eu acredito que, quando algo me incomoda, provavelmente o problema é comigo. Se pro outro está tudo bem, ele não tem problemas. Mas eu tive um sério problema com isso… Daí eu não entrava no orkut mais, não lia scraps de ninguém, não aceitava novos depoimentos… Saturou.
O orkut começou meu namoro? Sim. Ele terminou meu namoro? Não. Mas que teve participação nisso, teve. Porque qualquer coisa via orkut me parecia absolutamente falsa, parecia que era muito mais para ele ficar se exibindo pros outros e provocando fulana ou beltrana do que de verdade para mim. Paranóia? Talvez. Mas se estou feliz, as pessoas percebem naturalmente. Se quero mostrar pros outros que estou “super feliz”, então eu devo estar com problemas muito sérios. E eu estava. Confesso.
Claro, não foi por isso que eu terminei um namoro de cinco meses. Terminei por coisas muito mais complicadas do que orkut, distância, e que não vêm ao caso. Eu só queria falar que pretendo com todas as minhas forças não deixar o orkut banalizar as coisas. Nunca mais.
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